“OS LEIGOS TÊM VOZ?”
– Entre a promessa de participação ativa e os limites da recepção eclesial, segundo a Lumen Gentium IV, n. 30-38
O artigo analisa criticamente o capítulo IV da Lumen Gentium (nn. 30–38), destacando a renovação da compreensão sobre os leigos promovida pelo Concílio Vaticano II. O estudo mostra como o Concílio reconheceu os leigos como participantes ativos da missão da Igreja, valorizando sua dignidade batismal e sua atuação nas realidades sociais, culturais e políticas. Ao mesmo tempo, discute os limites da recepção prática dessa proposta, especialmente diante da permanência do clericalismo e da reduzida participação dos leigos nos espaços de decisão eclesial. Com base em autores como Yves Congar, Leonardo Boff e Joseph Ratzinger, conclui que a proposta conciliar permanece atual, mas ainda necessita de maior efetivação pastoral, sinodal e teológica na vida da Igreja.
.
Somos nós, homens e mulheres batizados. Somos nós que vivemos no mundo, temos uma família, geramos filhos e trabalhamos nos diferentes setores da sociedade. Somos, afinal, todos aqueles que são chamados a tornar o Evangelho e a Igreja presentes nos ambientes da existência humana, e fazemos isso em virtude do próprio Batismo (Muolo, 2023, p. 10).